Arqueologia e Pré-História

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Arqueobotânica

Por Geraldo PMJ & André Ávila Pinto

A arqueobotânica, também conhecida como paleoetnobotânica, é a disciplina da arqueologia dedicada ao estudo de vestígios botânicos (restos de plantas e algas) encontrados em sítios arqueológicos. Tem como objetivo de entender como um determinado grupo se relacionava com as plantas no passado. A arqueobotânica pode contribuir para explicar como os humanos utilizaram as plantas para diversos fins como alimentação, combustível, construção de abrigos, defumação, obtenção de cinzas, cozinhar alimentos, queimar cerâmicas, etc.  A origem da agricultura e a domesticação de plantas (como o milho, feijão e abóbora), são exemplos de estudos em que a arqueobotânica tem grande contribuição.

 

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Os amidos são exemplos de microrresíduos vegetais encontrados em artefatos de pedra, artefatos de cerâmica, e até mesmo nos dentes de esqueletos arqueológicos. Crédito da foto: Museu Nacional, UFRJ.

Os arqueobotânicos usam vários métodos para recuperar e identificar esses vestígios. Um dos métodos utilizados para recuperar macrovestígios é peneirar o material escavado em um recipiente com água, os vestígios menos densos flutuam na água enquanto a sujeira e os restos mais densos se depositam no fundo da peneira. Esse método é denominado flotação.

A identificação desses macrovestígios pode ser realizada de diversas formas, dependendo do tipo de vestígios. Carvões são observados em um microscópio de luz refletida; microvestígios geralmente precisam de um tratamento de extração e só então, são observados em um microscópio de luz transmitida; restos de frutos e sementes geralmente são identificados através da sua morfologia externa, da qual são geralmente tomadas várias medições, em alguns casos apenas uma boa lupa é o suficiente. A identificação é feita através da observação de padrões que cada planta tem em sua forma, esses padrões são então comparados com espécimens atuais ou com a bibliografia especializada Ter uma coleção de referência de plantas modernas ou, um atlas de identificação que mostra a forma de várias plantas, é essencial para um resultado confiável da identificação.

Microvestígios (como por exemplo fitólitos e pólen) exigem procedimentos de extração mais complexos, alguns envolvem a utilização de produtos químicos, equipamentos e instalações que atendam ao protocolo utilizado. A identificação dos microvestígios segue a mesma lógica dos macrovestígios, onde são observados os padrões morfológicos que são comparados com coleções de referência ou atlas de identificação.

Para saber mais sobre o assunto:

ARCHILA, S.; GIOVANNETTI, M.; LEMA, V. 2008. Arqueobotánica y teoría arqueológica: discusiones desde Suramérica. Universidad de Los Andes, Facultad de Ciencias Sociales, Departamento de Antropología,CESO, Ediciones Uniandes, 282 p.

FORD, R. I. 1979. Paleoethnobotany in American Archaeology. In: SCHIFFER, M. B. (Ed.). Advances in archaeological method and theory. New York: Academic Press, v. 2, p. 285-339.

PEARSALL, D. M.  2000. Paleoethnobotany: A Handbook of Procedures. Academic Press, San Diego. 470 p.

POPPER, V.S.; HASTORF, C. A. 1988. Current Paleoethnobotany: analytical methods and cultural interpretations of archaeological plant remains. The University of Chicago Press.

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