Arqueologia e Pré-História

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Arqueologia do Simbólico

Autor: João Carlos Moreno de Sousa

Arqueologia do Simbólico é a subárea da arqueologia que estuda as representações simbólicas presentes em sítios arqueológicos. São considerados como representações simbólicas: pinturas rupestres, gravuras rupestres, artefatos e estruturas que possuem formas geométricas intencionais, formas antropomorfas, zoomorfas, etc. Tais vestígios podem ser considerados como frutos de atividades rituais e simbólicas de acordo com o modo como se apresentam. A classificação destes vestígios como “simbólicos” variam muito de arqueólogo para arqueólogo, pois cada pesquisador pode ter uma interpretação diferente do outro sobre a existência de um significado simbólico ou não para certos vestígios arqueológicos (Ex: A forma das pirâmides pode ter uma função puramente funcional, e não simbólica).

Cuidado para não confundir Arqueologia do Simbólico com Arqueologia Cognitiva. Apesar de ambas as subáreas trabalharem juntas, principalmente em estudos das origens da linguagem e das representações rupestres, ela também podem ser aplicadas separadamente em diversos contextos.

Diferentes abordagens de estudo são aplicadas para estudos destas representações, desde análises de formas e contornos, estudos iconográficos, estudos da produção dessas representações, das inserções destes símbolos na paisagem, e outras abordagens pretensiosas que tentam até inferir significados para estas antigas representações. No entanto, inferir significados simbólicos nestes objetos pode ser considerado um ato não-científico, geralmente sendo um ato de pura especulação (interpretar sem evidencias), de modo que os pesquisadores tendem a apenas aceitar que tais símbolos possuiriam um ou mais significados no passado.

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Pinturas rupestres na caverna de Chauvet, na França, representando diversos tipos de mamíferos que habitavam a região cerca de 30 mil anos atrás.

Arqueologia do simbólico, portanto, não trata de inferir significado aos símbolos do passado, mas buscar por padrões, frequências e modos de produção das representações simbólicas presentes em sítios arqueológicos a avaliar o nível de importância que tais símbolos teriam dentro de seus dados contextos.

Exemplo de zoólito encontrado em sítios do litoral brasileiro. O zoólito na foto apresenta traços similares a um tubarão, e faz parte do acervo do LEPArq, UFPEL.

Os estudos de Arqueologia do Simbólico mais realizados atualmente são sobre pinturas e gravuras rupestres em abrigos pré-históricos, iconografia das decorações de vasilhames cerâmicos, artefatos de decoração corporal (colares, tembetás, brincos, etc), geoglifos, estruturas megalíticas, padrões de sepultamentos humanos, artefatos de rocha com formas  não funcionais (zoólitos, muiraquitãs, estatuetas, etc), instrumentos musicais, monumentos históricos, até mesmo sobre as escolhas de matérias-primas para produção de artefatos e alimentos, e até mesmo acústica de sítios arqueológicos.

João Carlos Moreno de Sousa é arqueólogo formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC GO) e mestre em arqueologia pela Universidade de São Paulo (USP). Possui experiência com estudos de tecnologia lítica e arqueologia cognitiva. Atualmente cursa doutorado em Arqueologia pelo Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN-UFRJ) e administra o site “Arqueologia e Pré-História”.

Para saber mais sobre o assunto:

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