Arqueologia e Pré-História

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Caça aos Mamutes na Sibéria: Fonte de matéria-prima para instrumentos há 33 mil anos atrás

Por  Bruce Bower, da Science News.

Ossos de mamutes escavados no sítio arqueológico Yana, na Sibéria, sugerem que humanos caçavam mamutes apenas para utilizar o marfim como matéria prima de artefatos.

Ao contrário da sua reputação de caçadores, os siberianos da Idade da Pedra mataram mamutes apenas a cada poucos anos, quando eles precisavam de presas para fabricação de ferramentas, de acordo com um novo estudo.

As pessoas que viveram entre cerca de 33.500 e 31.500 anos atrás, caçavam os animais principalmente pelo marfim, dizem o palentólogo Pavel Nikolskiy e o arqueólogo Vladimir Pitulko da Academia Russa de Ciências. A caça não poderia ter levado os mamutes a extinção, relatam os pesquisadores no Journal of Archaeological Science (acesso ao artigo no final do texto).

Na frígida tundra com poucas árvores, presas de mamute substituíam a madeira como matéria-prima para ferramentas, eles propõem. Na Sibéria as pessoas comiam carne de mamute após caças, mas a comida não era o seu objetivo principal.

Vários países da Europa e locais norte-americanos produziram carcaças de apenas um mamute repousando no meio de ferramentas de pedra. Tais achados podem refletir tanto a caça ou a limpeza. Vestígios no sítio arqueológico Yana da Sibéria fornecem uma janela sem precedentes sobre a caça e matança de mamutes sobre um longo período de tempo, diz o arqueólogo John Hoffecker, da Universidade de Colorado em Boulder.

Ossos de mamute aparecem em número suficiente em alguns locais na Europa para sugerir que os caçadores buscaram mais do que apenas o marfim, diz o arqueólogo Jiří Svoboda, da Universidade de Masaryk, em Brno, República Checa. Seja lá o que aconteceu em Yana, muitos grupos estavam, provavelmente, interessados na obtenção de carne, gordura, ossos, dentes e pele de mamute, diz Svoboda.

Desde 2008, os cientistas têm descoberto 1.103 ossos de pelo menos 31 mamutes no Yana. Medições de radiocarbono indicam que o mamute continua a ser gradualmente acumulado há mais de 2.000 anos.

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Acima: os possíveis alvos dos projéteis na caça ao mamute. Abaixo: Pinturas rupestres possivelmente representando as áreas onde os mamutes deveriam ser atingidos. (R) Rouffignac, França; (P) El Pindal, Espanha.

Omoplatas direitas de dois mamutes contém pedaços de pontas de lança de pedra. Uma lasca de marfim, possivelmente da haste de uma lança, perfurou um desses ossos. Outro ombro e um osso da coxa exibem buracos feitos por lanças. Os ângulos dessas feridas sugerem que os caçadores de mamutes atingiram eles por trás. “As pessoas de Yana definitivamente atacavam do ponto cego do mamute“, diz Nikolskiy.

A maioria dos ossos de mamute em Yana são provenientes de animais com presas ligeiramente curvas, que tinham o melhor tamanho e forma para a fabricação de armas de caça, propõem Nikolskiy e Pitulko.

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Exemplos de artefatos encontrados no sítio Yana.

Pesquisadores descobriram cinco ossos de mamute, provenientes da base da língua dos animais, em um acampamento não muito longe de onde os restos foram escavados. Partes de carne dos animais provavelmente foram consumidas lá, dizem os pesquisadores.

Apesar de a caça não ter sido a principal causa de extinção de mamutes na Ásia e na Europa, ela pode ter sido a gota d’água, na medida que a elevação das temperaturas diminuía as áreas habitáveis ​​para as criaturas.

FONTE: Science news

Artigo no Journal of Archaeological Science: Evidence from the Yana Palaeolithic site, Arctic Siberia, yields clues to the riddle of mammoth hunting

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Publicado em 13/06/2013 por em Artigos, Reportagens.
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