Arqueologia e Pré-História

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Gravura rupestre associada a Neandertais em Graham’s Cave, Gibraltar

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A primeira evidência de gravura rupestre atribuida a Neandertais foi descoberta no sítio arqueológico Gorham’s Cave, em Gibraltar.

Datada em mais de 39 mil anos de idade, a representação consiste em impressões cruzadas gravadas na rocha.

Sua análise põe em questionamento a ideia de que a produção de representações abstratas nas paredes das cavernas tenha sido uma inovação cultural introduzida na Europa pelos seres humanos modernos. Pelo contrário, os resultados, publicados na PNAS em 1º de setembro de 2014, apoiam a hipótese de que os neandertais tinham uma cultura material simbólica.

A produção de representações abstratas nas paredes das cavernas é vista como uma etapa fundamental no desenvolvimento das culturas humanas. Até agora, essa inovação cultural era considerada uma característica dos seres humanos modernos (Homo sapiens), que começaram a povoar a Europa cerca de 40.000 anos atrás. Tem também sido frequentemente comum sugerir que existem diferenças cognitivas marcantes entre os humanos modernos e os neandertais que os precederam, os quais não se expressavam desta forma. A recente descoberta em Gorham’s cave muda a imagem.

Credit : F. d'Errico

Crédito da imagem: F. d’Errico.

Ele consiste de uma gravura abstrata sob a forma de linhas cruzadas localizada no fundo da caverna. Na época em que ela foi identificada ela estava coberta por uma camada de sedimento amostrada para datação radiocarbônica, resultante em 39.000 anos de idade. Uma vez que a gravura se encontra abaixo desta camada ela é, portanto, mais velha que a data obtida. Esta data, juntamente com a presença de artefatos típicos da cultura arqueológica Mousteriense, associada aos Neandertais, nos sedimentos que cobrem a gravura, mostram que ela foi feita por Neandertais que ainda povoavam o sul da península ibérica naquele momento.

Pesquisadores do Laboratório PACEA (CNRS / Université de Bordeaux / Ministère de la Culture et de la Communication) realizaram uma análise microscópica da gravura, produzindo uma reconstrução 3D dela, e realizaram um estudo experimental, que demonstrou a sua origem humana. O trabalho também mostrou que as linhas gravadas não são o resultado de uma atividade utilitária, como o corte de carne ou peles, mas sim de forma repetida e intencionalmente com uso de um instrumento lítico com ponta robusta na rocha da caverna afim de esculpir sulcos profundos. As linhas foram habilmente esculpidas, e os pesquisadores concluíram que para atingir o resultado final o instrumento lítico deve ter riscado a rocha da caverna entre 188 e 317 vezes.

A descoberta apoia a ideia de que a expressão gráfica não era exclusiva para os seres humanos modernos, e que algumas culturas Neandertais produziram gravuras abstratas, usando-as para marcar o seu espaço de vida.

Artigo no PNAS: A rock engraving made by Neanderthals in Gibraltar

Fonte: Heritage Daily

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Informação

Publicado em 22/12/2014 por em Reportagens.
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