Arqueologia e Pré-História

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Arqueologia questionada: Fraudes, equívocos e evidências confiáveis (mas polêmicas)

Texto de João Carlos Moreno de Sousa

Separei uma lista de pesquisas acadêmicas profissionais e estudos amadores, da arqueologia internacional e brasileira, que polemizaram e ainda polemizam, os quais, felizmente ou infelizmente (depende do caso), fizeram leigos acreditarem e profissionais duvidarem da autenticidade das evidências. A lista também serve para tentar desenganar os leitores que possivelmente ainda acreditam em alguma história irreal; e espero que possam abrir a mente para hipóteses que parecem surreais, mas que apresentam cada vez mais evidências confiáveis e possuem cada vez mais aceitação geral do mundo acadêmico.

Na lista a seguir classifiquei essas pesquisas em três categorias, as quais devemos entender da seguinte maneira:

Fraude – Pesquisa ou evidência inventada, mal intencionada, com objetivo de apoiar uma hipótese falsa e, na maioria das vezes, objetivando ganho pessoal do “pesquisador”, na maioria das vezes. Em outros casos os autores das fraudes não são identificados, de modo que o objetivo é apenas uma brincadeira de mal gosto, ou um modo enriquecer vendendo relíquias falsas para museus e para o mercado negro.

Resultado equivocado – Pesquisa profissional ou amadora que, apesar das melhores intenções, obteve resultados falsos e criam mitos populares. Isso pode ser causado por erros de interpretação, falta de cuidado na análise das evidências, ou até mesmo falta de conhecimento e experiência sobre aquilo que está pesquisando – em geral, falta de profissionalismo. Eventualmente alguns pesquisadores, amadores ou profissionais, não admitem o erro, principalmente se já obtiveram ganho pessoal, como financiamento ou fama. Por mais que alguns chamem estas pesquisas de “fraude”, prefiro pensar que o erro não aconteceu, pelo menos a princípio, de má fé.

Evidência confiável (mas polêmica) – Uma pesquisa acadêmica séria, que obteve resultados surpreendentes, inéditos, que podem contradizer hipóteses já bem estruturadas e, portanto, enfurecer pesquisadores que sempre apoiaram as antigas hipóteses. Geralmente estes resultados demoram para obter uma aceitação geral da comunidade científica, necessitando de mais resultados que fortaleçam uma nova hipótese, mesmo que as evidências sejam totalmente confiáveis. Infelizmente, sempre há pesquisadores que resistem em aceitar as novas evidências, principalmente se elas forem contrárias as hipóteses que eles mesmo elaboraram após anos de de pesquisa.

Listei a seguir algumas das histórias mais famosas a seguir.  São muitas histórias, mas selecionei apenas algumas que achei mais interessantes. Para evitar que o texto seja entendido como desrespeitoso à religiosos fervorosos, deixei de lado os mutos casos polêmicos que tiveram o intuito de provar ou refutar hipóteses religiosas.

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1 – O homem de Piltdown, na Inglaterra (fraude)

Este é o caso de fraude, provavelmente, mais famoso da história da arqueologia e paleoantropologia. Os restos esqueletais do Homem de Piltdown teriam sido encontrados em 1912, na Inglaterra, por um trabalhador local, e logo foi interpretado por pesquisadores ingleses como sendo o “elo perdido”. Seu nome científico era Eoanthropus dawsoni, em homenagem ao arqueólogo amador Charles Dawson (um dos suspeitos da farsa).

O grupo responsável pelas primeiras análises do crânio: F. O. Barlow, G. Elliot Smith, Charles Dawson, Arthur Smith Woodward, A S Underwood, Arthur Keith, W. P. Pycraft, & Ray Lankester.

Apenas 45 anos depois a farsa foi descoberta, mas o verdadeiro autor da farsa é desconhecido. É possível que nem todo o grupo de pesquisadores da época estivesse envolvido diretamente com a farsa, contribuindo apenas ao propagar uma informação que eles não sabiam que era falsa. O “elo perdido” não passava de um fragmento de mandíbula de orangotango acoplada a um crânio humano normal, e um dente canino.

Piltdown Man: The 'Missing Link' Between Apes and Humans that was Created by Using a Human Skull and an Orangutan's Jaw (1912)

Ilustração do Homem de Piltdown.

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2 – O crânio de Calaveras, Estados Unidos (equívoco)

O crânio de Calaveras teria sido encontrado durante uma escavação no condado de Calaveras, Califórnia, em 1886. A importância da descoberta recai no fato de que ele provaria a coexistência de humanos com a megafauna durante o Plioceno na América, há mais de 2 milhões de anos atrás. A descoberta do crânio foi de autoria de Josias Whitney, mas não existiam evidências para sua hipótese.

Apesar de arqueólogos profissionais descartarem a hipótese de Whitney, ele insistiu, mesmo que não houvesse nada que a confirmasse. Em 1992 finalmente foi obtida uma datação radiocarbônica, revelando que o crânio tinha apenas 1.000 anos.

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3 – O Homo erectus no Brasil (equívoco)

É sabido que nenhuma outra espécie homíninea ocupou as Américas além do Homo sapiens – pelo menos não existem evidências confiáveis que mudem o que pensamos. Algumas raras evidências apontam a presença humana há até 40 mil anos atrás, e apenas a partir de 14 mil anos a América (incluindo o Brasil) foi amplamente povoada. No entanto, pesquisas da arqueóloga brasileira Maria Beltrão levaram a comunidade científica a acreditar na presença humana a 300 mil anos atrás em território brasileiro, indo muito além de outras evidências que também apoiam a presença humana na América antes de 14 mil anos. Há 300 mil anos atrás não existiam humanos modernos (sapiens), logo a hipótese é de que trataria-se de uma ocupação de Homo erectus no Brasil.

Beltrão apresentou evidências, datadas e publicadas, que levaram a comunidade científica dos anos 70 a abrir os olhos para um novo panorama da arqueologia americana. Dentre os sítios arqueológicos pesquisados estão o sítio Toca da Esperança (na região de Central, Bahia), Alice Boer (na região de Rio Claro e Ipeúna, SP) e Morro da Dinamite (em Itaboraí, RJ). Sua grande fama na arqueologia brasileira profissional (incluindo o fato de ela ser uma das principais responsáveis pela fundação da Sociedade de Arqueologia Brasileira) propiciou algum crédito às suas hipóteses, mesmo sendo contrárias a tudo que se acreditava até então. As evidências de supostos artefatos líticos, bem selecionados, enviados para análise para pesquisadores internacionais foram razoavelmente aceitas, a princípio. Mas como isso refutava as hipóteses antigas, as evidências não foram totalmente aceitas pela comunidade científica.

Geofatos (supostos artefatos) coletados no morro da dinamite, Itaboraí, RJ.

Qual é o problema então? Acontece que nunca surgiram novas evidências mais confiáveis, e o crédito de suas pesquisas e hipóteses foi desaparecendo. Cada vez mais pesquisadores discordavam de Beltrão devido a essas evidências altamente questionáveis. Os artefatos líticos não pareciam realmente com artefatos lascados. Eles não possuem nenhum tipo de padrão, mas sim muitas feições completamente naturais!

Hoje suas evidências são altamente refutadas pela comunidade científica. Contudo, eventualmente a mídia ainda propaga suas evidências como verdadeiras. Poderia esse fato estar relacionado ao fato de que ela é mãe de uma famosa jornalista da Rede Globo, de mesmo nome, Maria Beltrão? Sinceramente, acho que não. Jornais e revistas populares sempre foram um problema para arqueólogos na hora de divulgar reportagens, alterando “levemente” os fatos (nem sempre de má fé, mas pelo fato de não perceberem o quê de fato é importante nas pesquisas). Quando o veículo da mídia já possui má fama entre os acadêmicos, isso pode ser ainda pior.

Observação: Escavações recentes (2011) foram realizadas no sítio Alice Boer, coordenadas por equipe do Museu de Arqueologia e Etnologia, Universidade de São Paulo (MAE-USP). A análise que está em andamento contradiz muitas hipóteses de Beltrão, principalmente as datas radiocarbônicas e a presença de geofatos (objetos naturais que podem ser facilmente confundidas com artefatos por não-especialistas) ao invés de artefatos líticos no local. Eu mesmo participo desta pesquisa, e a publicação apenas aguarda o resultado de mais datações.

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4 – A presença de humanos na América antes da “cultura Clovis” (evidências confiáveis, mas polêmicas)

Já citamos as pesquisas de Beltrão, cujas hipóteses atualmente são descartadas. No entanto, já existem dezenas de evidências comprovadas da presença de humanos antes de 14 mil anos atrás. A comunidade científica internacional estabeleceu uma área de conforto sobre a seguinte hipótese, que ficou conhecido como “Clovis First“: A América começou a ser povoada a cerca de 14 mil anos atrás, quando o mar estava mais baixo e permitiu a passagem de grupos vindos da Sibéria para a América através do Estreito de Bering, que na época, não era mar. Depois disso, os humanos passaram por um corredor dentro do gelo que cobria todo o Canadá e chegaram nos Estados Unidos. Quando chegaram nos EUA, por lá se estabeleceram, e disseminaram uma cultura que foi batizada pelos arqueólogos de Cultura Clovis. A cultura Clovis teria dado origem a todos os grupos humanos “paleoíndios” da América (nota: na arqueologia, chamamos de “paleoíndios” os humanos que habitaram a América a partir do final do Pleistoceno, e que se assemelhavam fisicamente aos melanésios e africanos. Sabemos que por algum motivo houve uma substituição de grande parte da população americana durante o Holoceno médio, com a chegada de outros grupos humanos que chamamos de “Ameríndios” – ancestrais diretos dos indígenas americanos atuais).

Na verdade, não existem muitas evidências arqueológicas que confirmem totalmente a hipótese. Por exemplo: algumas evidências paleoclimáticas dizem que nunca houve um corredor de gelo, logo teríamos que procurar por sítios atualmente submersos. Para muitos pesquisadores, uma arqueologia subaquática provavelmente revelaria sítios paleoíndios que confirmem que grupos humanos vieram beirando o litoral oeste da América do Norte antes de ingressar no interior dos Estados Unidos. É completamente provável que humanos vieram e voltaram diversas vezes por Bering enquanto existia terra por lá. E mesmo depois quando já não havia terra, navegando.

No entanto, pesquisas nas últimas décadas tem levantado novas hipóteses, contrárias a teoria Clovis First. Mesmo nos EUA estão sendo encontrados alguns sítios com evidências da presença anterior a Clovis na América, com datações e tudo mais. Na América do Sul alguns sítios ficaram bem famosos:

Um exemplo é o sítio Monte Verde (Chile) que surpreendeu o próprio Tom Dillehay, coordenador da pesquisa, com datações de 14 mil anos. Inclusive, Dillehay confessa que teve receio de publicar os resultados da pesquisa no começo, com medo das reações de arqueólogos tradicionalistas da teoria Clovis First. Afinal, suas datas são mais antigas que qualquer um dos sítios Clóvis, datados a partir de cerca de 13.500 anos.

Outro exemplo é sítio Taima-Taima, na Venezuela, que além de ter seus 14 mil anos também possui artefatos semelhantes aos Clovis dos EUA.

O sítio Santa Elina (Mato Grosso, Brasil) é mais um exemplo. Possui datações de até 22 mil anos e presença de artefatos feitos com ossos de megafauna, mais especificamente, de preguiça gigante.

Existem alguns sítios que datam em até 40 mil anos na Serra da Capivara, no Piauí.

Por que essas descobertas são polêmicas? Porque elas refutam uma teoria que durou décadas, e altera muito o que já foi escrito pela ciência. Infelizmente, arqueólogos excessivamente tradicionalistas, não entendem que essa é a parte legal da ciência: construir conhecimento e modificar o conhecimento já existente com novas informações. Estes arqueólogos que insistem no Clovis First parecem ter adotado a hipótese como uma religião.

Apesar das evidências serem altamente refutadas inicialmente, hoje a comunidade científica admite que, antes de Clovis, outros grupos vieram. Mesmo os sítios arqueológicos brasileiros popularmente conhecidos da “tradição Itaparica” no nordeste e planalto central, da “tradição Umbu” no sudeste e sul, e do complexo de Lagoa Santa (MG), cujas datas chegam a 13 mil anos, não apresentam quaisquer vestígios que possam confirmar uma ancestralidade na cultura Clovis, e já surgem em território brasileiro com tecnologias bem estabelecidas que duraram milênios. Clovis durou no máximo 700 anos nos EUA.

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5 – A chegada dos humanos na América vindos da Europa (evidências confiáveis, mas polêmicas)

Não existem evidências que apoiem hipóteses da vinda de grupos humanas para a América através de longas navegações vindas da Polinésia ou África. No entanto, para Dennis Stanford (Smithsonian) e Bruce Bradley (Universidade de Exeter), existe uma possibilidade de que grupos humanos tenham vindo por uma rota glacial da Europa.

De acordo com eles, existe uma possibilidade de que grupos humanos da cultura Solutreense (que predominou na Europa entre 22 mil e 18 mil anos atrás) tenham chegado na América durante este período, talvez navegando, mas principalmente acompanhando uma costa marítima glacial que ligava a Europa e noroeste dos EUA. Os autores passaram a considerar esta hipótese após reunir diversas evidências, incluindo a presença de restos alimentares (mamíferos marinhos) no interior da Europa. Inclusive pinturas rupestres dos mesmo animais são encontradas em cavernas longe do litoral na Europa. Isso significa que, provavelmente, estes grupos humanos não teriam problema em percorrer enormes distâncias em busca de alimentos, e quem sabe percorreram todo o glacial até, eventualmente, chegar nos EUA. É sabido que estes mamíferos marinhos vivem em grandes números nessas geleiras marítimas, e são uma ótima fonte de alimento.

Livro “Across the Atlantic Ice”, de Stanford e Bradley. O artefato que ilustra a capa foi encontrado nos EUA, e extremamente similar aos artefatos Solutreenses em forma e tecnologia.

De acordo com os dois autores da pesquisa publicada em artigos, e com todos os dados publicados em um livro, não há porque não acreditar nesta possibilidade se, atualmente, sabemos que não existiu um corredor de gelo no Canadá que permitisse a vinda de humanos de Bering até os EUA pelo interior do Canadá. Afinal, o trajeto mais curto de Bering até os EUA pelo litoral é MAIS LONGO do que o trajeto por uma costa glacial da Europa até o noroeste dos EUA. Logo, distância não seria problema.

Se olharmos para as indústrias líticas, é possível notar que, tecnologicamente, os artefatos Clovis são extremamente semelhantes aos artefatos de grupos Solutreenses, o que poderia indicar uma ancestralidade, mesmo que os artefatos não sejam tão semelhantes morfologicamente. Por outro lado, não existe semelhança tecnológica alguma entre artefatos Clovis e artefatos de sítios da Sibéria e Alaska. Os autores também apontam ao fato de que a cultura Clovis dominou todo o leste dos EUA, mas raramente são encontrados no oeste dos EUA.

Por fim, os próprios autores se surpreenderam com as descobertas de pesquisas genéticas que afirmam que grupos nativos do leste dos EUA possuem ancestralidade européia antiga.

Stanford e Bradley continuam reunindo evidências que possam dar mais embasamento a esta hipótese, mas lamentam que, ainda hoje, boa parte da comunidade científica não acredite sequer numa leve possibilidade desta hipótese bem estruturada.

Observação: Bruce Bradley já nos forneceu uma bela entrevista sobre o povoamento das Américas, que você pode assistir abaixo. Ele comentou um pouco sobre a hipótese isso.

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6 – As datações e evidências arqueológicas na Serra da Capivara, Piauí (evidências confiáveis, mas polêmicas)

Se por um lado Maria Beltrão perdeu a credibilidade ao longo dos anos, o oposto ocorre com Niéde Guidon. Apesar de enorme esforço de trabalho na região conhecida como Serra da Capivara, sua fama maior se deve ao sítio arqueológico Boqueirão da Pedra Furada. Apesar de ainda não possuir uma aceitação geral da comunidade científica, cada vez mais acadêmicos acreditam na presença humana na América há até 40 mil anos atrás.

O problema desta hipótese é que a Pedra Furada é o único sítio tão antigo na América. Outros sítios vizinhos, como o sítio Toca da Tira Peia, possuem datações que não ultrapassam muito mais de 20 mil anos de idade. A Pedra Furada tem o dobro da idade. Logo, faltam mais sítios bem datados, e com artefatos menos questionáveis pelos não-especialistas.

Boqueirão da Pedra Furada, Serra da Capivara, Piauí.

E eis que surge o maior problema da Pedra Furada: os artefatos. As datações não são questionáveis. O que muitos questionam é a autenticidade dos artefatos. Qualquer um que se depara com os artefatos líticos pode acabar se frustrando ao ver simples seixos de onde saíram duas ou três lascas. Foi observado por alguns que os seixos caem do topo do paredão e caem um sobre os outro, lascando naturalmente.

Durante alguns anos o arqueólogo italiano Fábio Parenti analisou sistematicamente os seixos lascados, e concluiu que não há possibilidade desses lascamentos terem ocorrido naturalmente. Anos após as análises de Parenti, o arqueólogo francês Eric Boëda retomou as escavações no sítio, que ocorrem até hoje. Boëda também realizou análises sistemáticas, e chegou em concordância com Parenti. Ambos os arqueólogos possuem projetos de pesquisa em sítios da Europa e da Ásia, e vêem certas similaridades dos artefatos da Pedra Furada com artefatos da indústria Olduvaiense. Logo, se os artefatos “toscos” do Velho Mundo são bem aceitos pela comunidade científica, porque os da Pedra Furada não podem ser aceitos também?

Vários arqueólogos experientes que manusearam os artefatos pessoalmente concluíram que o material é realmente antrópico (feito por humanos). No entanto, isso não quer dizer que quem lascou não foram Homo sapiens, mesmo que a tecnologia seja semelhante a indústria dos Homo erectus.

Outra evidência que vem sendo tratada são estruturas de combustão, prováveis fogueiras. Os céticos chegam a alegar que estas estruturas de combustão não passam de raios que atingiram o local, por coincidência. Estes raios teriam entrado no abrigo, de alguma maneira desconhecida, e criado combustões no solo. Pois é… quando o cético é teimoso, inventa de tudo para não admitir.

De todo modo, estas análises e seus resultados trouxeram mais credibilidade às pesquisas realizadas por Niéde Guidon. No entanto, sua credibilidade volta a desaparecer quando ela afirma a presença de humanos na América há 100 mil anos, e que eles provavelmente vieram navegando da África. Para nenhuma desta hipóteses existem (pelo menos ainda) evidências.

A histórica completa sobre estas pesquisas você pode ler na matéria da revista Piauí: Os seixos da discórdia.

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7 – Caveiras de cristal Aztecas, no México (fraudes)

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Caveira de cristal acondicionada no museu Smithsonian. Crédito: James Di Loreto/Smithsonian Institution

A caveira de cristal mais famosa da cultura pop com certeza é aquela do quarto filme da franquia Indiana Jones, subtitulado “e a Caveira de Cristal”. Alerta de spoiler do filme: o filme revela que as caveiras de cristal pertencia ao esqueleto de um alienígena. Alerta de spoiler da vida real: as caveiras de cristal que realmente existem em museus ao redor do mundo não são de alienígenas. Mas acho que vocês já imaginavam isso, né?

Durante os séculos XIX e XX uma série de artefatos feitos em quartzo leitoso, quartzo hialino e quartzo leitoso, os quais imitavam crânios humanos, foram vendidos para museus em todo mundo. A hipótese das pessoas que vendiam estes crânios era de que eles eram provenientes de sítios arqueológicos de sociedades pré-colombianas da Meso-América.

No entanto, tais crânios sempre foram questionados, desde as primeiras tentativas de venda para alguns museus que não quiseram aceitar os tais artefatos em suas coleções. Afinal, as escavações das quais estes crânios eram provenientes não haviam sido bem documentadas. Alguns museus, como o Smithsonian nos EUA, acabaram recebendo as caveiras de cristal em suas coleções, mas logo trataram de expô-las como “falsas”.

Uma análise recente liderada por Jane Walsh deu um fim a toda essa história, apontando evidências que confirmam que as caveiras de cristal não foram produzidas em períodos pré-colombianos, e nem tem origem na Meso-América. A análise microscópica revelou que os dentes das caveiras foram polidos por máquinas. Se tivessem sido produzidas manualmente as marcas do polimento mostrariam irregularidades, enquanto uma máquina produz marcas padronizadas, como ranhuras paralelas. Para uma comparação foi usada uma taça feita sob cristal de quartzo proveniente da Meso-América pré-colombiana (uma verídica e bem documentada).

Imagens da análise de microscopia eletrônica. Na esquerda: Imagem do polimento manual, irregular. Na direita: Imagem de um dente da caveira de cristal com polimento de maquina, com marcas regulares. Crédito: British Museum

Intrusão de clorito de ferro encontrado em quartzo proveniente do Brasil ou Madagascar. Crédito: British Museum

Outra evidência que dá um ponto final à essa história é a proveniência da matéria prima utilizada: os quartzos. De acordo com os pesquisadores, as intrusões de clorito de ferro encontradas no meio do quartzo são ocorrências naturais típicas do quartzo encontrado em Madagascar e do quartzo encontrado no BRASIL. Quem diria né? O fato é que na Meso-América o quartzo não apresenta esse tipo de intrusão natural.

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8 – A pedra de Kensington (fraude)

A pedra de Kensignton teria sido encontrada em 1898, próximo à Kensington (norte dos Estados Unidos), por Olof Olsson Ohman, enquanto tratava de suas terras. O artefato seria uma prova da presença de nórdicos (Vikings?) no interior da América do Norte ainda no século XIV, mais exatamente. O artefato seria datado do ano de 1362.

A pedra de Kensington em exposição no Runestone Museum, em Alexandria (EUA). Crédito: Christer Hamp.

 A partir de 1968 diversos pesquisadores, principalmente linguistas, concluíram que as inscrições rúnicas na pedra são completamente falsas. Apesar do texto fazer “um pouco” de sentido em seu significado, Ohman e um amigo apenas utilizaram de um alfabeto nórdico para escrever o texto numa mistura de idiomas escandinavos e até inglês. Sua tradução não deveria ser tão complicada assim. Além disso, não existe uma documentação confiável do achado.

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9 – O mapa de Vinland (fraude?)

O mapa de Vinland seria, na verdade, um mapa múndi do século XV. Os historiadores tendiam a acreditar que os primeiros europeus teriam chegado à América apenas no fim do século XV, mas este mapa, datado de 1440, seria uma evidência de que expedições nórdicas teriam chegado até um continente a oeste da Groenlândia. Este mapa seria uma prova que que os Vikings teriam encontrado uma ilha Canadense, a qual batizaram de “Vinland”,  anos antes de Cristóvão Colombo.

Mapa de Vinland. Crédito: Yale University

 O mapa foi oferecido à Universidade de Yale por um ex-aluno que havia encontrado o mapa junto com livros antigos em 1957. Apesar da relutância inicial da universidade, eles aceitaram o mapa, e o guardam até hoje, não comentando sobre sua veracidade. A principal evidência da fraude pode ser o fato de que a tinta do mapa contém dióxido de titânio, produto que só começou a ser utilizado a partir de 1920. Apesar da não aceitação da comunidade científica sobre o mapa, os debates sobre a sua falsidade ainda não tiveram um ponto final definitivo.

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10 – Os Vikings na América, antes de Colombo (evidências confiáveis, mas polêmicas)

Três anos após a descoberta do mapa de Vinland, foram encontradas evidências arqueológicas da presença de Vikings no litoral norte da ilha de Newfoundland, no Canadá, próximo à Groenlândia. Trata-se do sítio arqueológico L’Anse aux Meadows. Com o passar das décadas mais sítios arqueológicos foram encontrados, inclusive com evidências de possível contato com grupos nativos americanos.

Apesar da relutância de parte dos acadêmicos em aceitar que os Vikings chegaram a América antes de Colombo, já está mais do que provado que os Vikings realmente chegaram na Groenlândia e no Canadá, ocupando os locais alcançados por algum tempo, e posteriormente abandonando-os. Aparentemente, os Vikings não tiveram intenções de colonizar a América, talvez por falta de interesse no que encontraram no Novo Mundo.

Já falamos sobre a presença dos Vikings na América antes, aqui no site.

11 – Os Fenícios no Brasil (equívoco)

O mito que diz que continente americano poderia ter sido visitado por fenícios começou com Robertus Comtaeus Nortmannus em 1644 e  com Georg Horn em 1652. Alguns poucos historiadores, durante décadas, escreveram sobre a presença dessa sociedade em terras brasileiras, mas evidências arqueológicas verídicas nunca existiram.

As supostas evidências da presença dos Fenícios no Brasil, que pouco apoiam a hipótese, teriam sido encontradas no Rio Grande do Norte, Paraíba e Rio de Janeiro. A evidência mais famosa desta hipótese seria a Pedra da Gávea, na capital carioca.

Topo do morro Pedra da Gávea, Rio de Janeiro. Vista deste ângulo, é possível ver a semelhança do paredão rochoso natural com um rosto humano.

Alguns supostos estudiosos assimilaram a figura de uma esfinge fenícia com a Pedra da Gávea, e criaram o mito de que o topo da montanha seria (acredite se quiser) uma esfinge! Repare nas duas imagens abaixo, compare, force sua imaginação ao máximo. Se você identificou a óbvia semelhança: Parabéns! Você provavelmente, também, enxergaria os zodíacos nas estrelas durante uma noite nublada.

Ilustração de uma esfinge fenícia esculpida na Pedra da Gávea.

Foto do topo da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, formada naturalmente.

Não encontrei nenhum artigo sério sobre a “teoria dos fenícios no Brasil”, sendo apenas mais um mito popular, recheado de matérias especuladoras na internet.

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12 – Os Celtas, no Paraguai/Mato Grosso do Sul (equívoco)

Esta é uma história recente, que inclusive ganhou uma manchete no Correio do Estado, Mato Grosso do Sul. O guia turístico Jackson Weaver afirma ter encontrado um sítio arqueológico perto da divisa dos municípios de Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero (Paraguai).

De acordo com Weaver, o sítio teria mais de 5 mil anos de idade, e teria sido ocupado pela cultura Celta. Não existem evidências, sequer fraudadas, que apoiem esta hipótese. É possível que Weaver não possua qualquer tipo de conhecimento em arqueologia ou geologia e, na verdade, tenha admirado (e muito) as belezas naturais da região, e imaginou esta hipótese afim de explicar a formação da paisagem.

Local descoberto por pesquisador

Imagem da suposta cidade perdida. Mesmo com a baixa qualidade da foto é possível ver… pedras.

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13 – Pirâmides de 12 mil anos na Bósnia (equívoco)

O amador Sam Osmanagich acredita ter encontrado a maior e mais antiga pirâmide do mundo, de 12 mil anos de idade, a alguns quilometros de Sarajevo, Bósnia. A notícia percorreu o mundo, e logo foi dita como falsa. Inclusive a maior organização de arqueólogos da Bósnia (similar a SAB, no Brasil) se sentiu obrigada a lançar uma nota de repúdio à pesquisa amadora, pois manchava e ridicularizava a arqueologia Bósnia profissional.

Semir Osmanagic

Este é o amador Sam Osmanagich

Antes da descoberta de Sam, a qual ele batizou de “Pirâmide do Sol”, os moradores da região acreditavam que a formação era apenas uma montanha. Pesquisadores profissionais que verificaram a descoberta concluíram que a suposta pirâmide é, bem… uma montanha! É isso mesmo que você leu. Montanha. E um tipo de montanha muito comum, inclusive. Geólogos dos Estados Unidos chamam esse tipo de montanha, muito comum na América do Norte, de flatiron. Trata-se de uma formação de arenito conglomerático que ganha faces retas (similares a pirâmides) devido a erosões naturais. Esses conglomerados de arenito foram confundidas, pelo amador, com “um tipo de concreto antigo” usado pelos construtores. Nenhuma outra evidência apresentada por Sam foi tida como verídica. Nem sequer o sepultamento encontrado datado em 12 mil anos (e que não tinha nenhum esqueleto dentro). Posteriormente ele passou a acreditar que outras montanhas menores próximas também são pirâmides.

Eis uma foto aérea da montanha de formação “flatiron” que Sam acredita ser a pirâmide do sol, na cidade de Visoko, Bósnia.

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14 – Pirâmides na Antárctica (equívoco)

Assim como o caso anterior, uma equipe de exploradores dos EUA encontrou algumas formações, as quais parecem ser montanhas de formação flatiron, e acreditam ter encontrado três pirâmides na Antárctica próximas ao litoral.

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Foto de uma das supostas pirâmides, ao fundo. A fotografia foi tirada pelo explorador amador Phil Ershler.

A notícia chegou a rodar o mundo, e o explorador Phil Ershler acredita que as pirâmides só puderam ser descobertas agora devido ao derretimento do gelo que as escondiam. A suposta descoberta seria uma evidência de que em períodos mais antigos o continente antárctico teria uma clima que suportaria a sua ocupação por civilizações antigas. No entanto, a única “evidência” mostrada são as fotos…

É de conhecimento de qualquer arqueólogo as grandes civilizações só passaram a existir após 8 mil anos atrás, quando o clima do planeta era praticamente o mesmo que o atual. Antes disso, o planeta passou por uma longa era glacial. Isso quer dizer que nos últimos milênios, antes do surgimento do Homo sapiens, a Antártida era ainda mais fria, e tinha muito mais gelo. Assim a Terra permaneceu até 10 mil anos atrás, quando o planeta começou a aquecer e ter o clima atual, e continua a aquecer. Mesmo assim a Antártica está entupida de gelo, desfavorecendo que uma civilização, sem tecnologia moderna, construa pirâmides ou outras grandes estruturas.

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15 – A múmia do Mississipi, Estados Unidos (fraude)

Essa chega a ser ridícula. O departamento de arquivos e história do Mississipi, em 1920, adquiriu uma coleção com inúmera relíquias arqueológicas, incluindo uma múmia egípcia (a queridinha do público). Ela permaneceu em exposição por décadas, no Capitólio do Estado. Em 1969 um estudante de medicina, Gentry Yeatman, com interesses na arqueologia, solicitou permissão para analisar a múmia, com claros objetivos acadêmicos.

Para sua surpresa, e de todos, a múmia não passava de uma boneca de madeira, osso e unhas de animais e papel machê. Até páginas de jornais foram encontradas nela!

Mississippi Mummy: An Egyptian Mummy Created by Using Animal Ribs, Nails, and Papier-mâché ('20s)

A “múmia egípcia” do Mississipi e sua radiografia.

Ninguém sabe quem foi o “Dr. Frankenstein” que inventou essa múmia. Após a descoberta, devido a status ridículo da fraude que passou décadas despercebida, a tal “múmia” caiu nas graças da população e do estado, tornando-se um símbolo do folclore local. No fim das contas, eles levaram tudo num boa!

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16 – A múmia da princesa Persa, no Paquistão (fraude)

Diferente da múmia anterior, essa não teve graça. Na verdade, a história é um pouco cruel…

A múmia teria sido encontrada num sarcófago de madeira, no Paquistão, em outubro de 2000. Alguém estava tentando vender a múmia no mercado negro por 11 milhões de dólares! Autoridades que investigavam um caso de assassinato, por coincidência,  descobriram a venda da múmia e resolveram investigar esse caso ilegal também. Os responsáveis por tentar vender a múmia foram levados a justiça, e alegavam que ela tinha sido encontrada durante um terremoto nas proximidades de onde residiam.

Posteriormente, alguns estudiosos fizeram uma análise preliminar do sarcófago e concluíram que tratava-se da múmia de Khor-ul-Gayan (ou Tundal Gayan), possível filha do rei Persa Karoosh-ul-Kabir. As inscrições do sarcófago datavam de 600 a.C..

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A suposta múmia de princesa Persa de 2.600 anos de idade. Crédito: AFP/CORBIS

O pesquisador Oscar White Muscarella, que se interessou em estudar o achado, começou a ter suspeitas logo que teve acesso à múmia. O sarcófago trazia outra inscrição que dizia que ela seria filha do rei Xerxes (que só nasceu após 600 a.C.), e Muscarella concluiu que isso provavelmente seria uma fraude moderna, possivelmente feita nos anos de 1930. A principal hipótese passou a ser de que a múmia era provavelmente egípcia, e alguém fraudou o sarcófago para que ele parecesse de origem persa.

Em novembro do mesmo ano (2000), a múmia foi enviada para analises de tomografia, e amostras foram enviadas para datação. O resultado da tomografia revelou que tratava-se de uma mulher de 21 anos de idade, cuja provável causa mortis foi uma fratura na espinha. A mesma análise revelou detalhes que levantaram suspeita na autenticidade da própria múmia, além do sarcófago e seus acompanhamentos funerários. Também descobriu-se que os acompanhamentos funerários eram joalherias datadas dos séculos XII ao XVI. No entanto, maiores informações não foram divulgadas a princípio.

Menos de dois meses, quando todas a investigação foi concluída, revelaram que o corpo havia sido mumificado há menos de dois anos antes de ser descoberta pelas autoridades locais. Os órgãos haviam sido retirados, e a mumificação ocorreu com preenchimento de pó nas suas cavidades.

Conclusão: Toda a fraude parece ter sido uma tentativa de se desfazer do corpo de uma mulher de 21 anos de idade assassinada em 1998, provavelmente pelos mesmos homens que tentaram vender a “múmia persa” no mercado negro.

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17 – Os achados de Shinichi Fujimura no Japão (fraudes)

Shinichi Fujimura era considerado um ídolo da arqueologia japonesa, pois seus trabalhos em escavações em mais de 180 sítios arqueológicos revelaram que a presença humana no Japão era muito mais antigo do que apenas 30 mil anos. Seus achados levaram a acreditar que o Japão chegou a ser palco de ocupações dos Homo erectus, há 600 mil anos atrás.

Esse cara era o diretor do Instituto Paleolítico Tohoku, no Japão. Seu apelido era “a mão de Deus”. Não, ele não fez um gol igual do Maradona. Ele tinha era muita sorte nas escavações arqueológicas. Onde quer que ele batesse o olho ele encontrava um fóssil, um artefato lítico, ou algo muito importante. Ele revelou o segredo para encontrar tanto material, durante a produção de uma reportagem para o jornal Mainichi Shimbun. Quer dizer… na verdade os repórteres descobriram o segredo: ele “plantava” os vestígios. Algumas horas depois dos repórteres flagrarem seu esquema ele anunciou mais uma importante descoberta.

Shinichi Fujimura's Discoveries: More than 60 Artifacts Planted (2000)

Shinichi Fujimura sendo flagrado, vergonhosamente, por repórteres, em outubro de 2000.

Depois de revelada a farsa, Fujimura confessou ter fraudado 42 sítios arqueológicos que ele escavou. A revelação das farsas levou um dos seus colaboradores, Mitsuo Kagawa (78 anos de idade), considerado cúmplice, a se suicidar.

Um questão que ficou no ar é: como é que ninguém suspeitou de nada? Provavelmente ninguém quis duvidar do grande ídolo da arqueologia japonesa. Ele já havia feito seu nome. Depois disso, Fujimura –passou a ser completamente desacreditado por todos e foi parar num hospital psiquiátrico.

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Conclusões:

A fama de um pesquisador, amador ou profissional, não implica em pesquisas de qualidade, ou sequer confiáveis. Sempre há de questionar a autenticidade de suas evidências, mesmo que a hipótese não pareça nada absurda; temos sempre que buscar as informações em fontes confiáveis, como as publicações do próprios pesquisadores e suas equipes.

Só porque a história estabeleceu uma crença total em uma hipótese ou evidência, não quer dizer que ela não possa ser questionada pela falta de evidências concretas. Mas para isso, é preciso reunir as evidências confiáveis já divulgadas, antes de simplesmente criticar. Temos que nos informar antes.

Temos que entender que novas hipóteses que, a princípio, parecem absurdas podem ser uma realidade, desde que as evidências sejam bem documentadas e publicadas por pesquisadores profissionais. Infelizmente, sempre haverão aqueles na acadêmia que relutarão para aceitar estas novas evidências, principalmente se ela forem contra suas principais hipóteses. Mas a ciência é assim mesmo. Afinal, a ciência não funciona através da simples aceitação das hipóteses.

O mais importante a entender é que não há razão para insistir em não admitir um erro, ou não aceitar que as novas evidências contradigam uma antiga hipótese. A ciência apenas perde se os pesquisadores ficarem brigando entre si, ao invés de apenas colaborarem entre si, reunirem suas evidências e tentarem elaborar hipóteses plausíveis a todas elas.

Estudios-recientes

Humor: Arte de Alberto Montt.

Fontes online:

Encyclopedia of Archaeology: PSEUDOARCHAEOLOGY AND FRAUDS

Proceedings of the Geologists’ Association: Piltdown man: With special reference to the ape mandible and canine tooth

Earth-Science Reviews: Geological fakes and frauds

Encyclopedia of Archaeology: NEW WORLD, PEOPLING OF

World Archaeology: The North Atlantic ice-edge corridor: A possible Palaeolithic route to the New World

Lawrence Guy Straus, David J. Meltzer and Ted Goebel:  Ice Age Atlantis? Exploring theSolutrean-Clovis ‘connection’

World Archaeology: The Solutrean-Clovis connection: reply to Straus, Meltzer and Goebel

Arqueologia e Pré-História: Os seixos da discórdia

C&EN: Crystal Skulls Deemed Fake

John D. Bengtson: The Kensington Rune Stone: A Study Guide

J. Huston McCulloch: The Vinland Map — Some “Finer Points” of the Debate

Arqueologia e Pré-História: Vikings na América do Norte há 1.000 anos atrás: Descoberta de mais uma viagem

Arqueologia e Pré-História: 8 mitos e fatos sobre os Vikings que podem te surpreender

Correio do Estado: Pesquisador descobre cidade perdida na fronteira de MS

Smithsonian: The Mystery of Bosnia’s Ancient Pyramids

The Washington Post: X-RAY WRAPS IT UP: MUMMY FAKE

Archaeology: Special Report: Saga of the Persian Princess

BBC: Archaeologist exposed as fraud

Fontes impressas:

Beltrão, M. C. (1974). Datações Arqueológicas Mais Antigas do Brasil. Anais da Academia Brasileira de Ciências, 46, (pp. 211-251). Rio de Janeiro.

Beltrão, M. d., Danon, J. A., & Doria, F. A. (1988). Datação Absoluta Mais Antiga para a Presença Humana na América. Rio de Janeiro: UFRJ.

Beltrão, M. M. (1992). O Homem Pré-histórico há 300 Mil Anos no Brasil. Revista Geográfica Universal, 84-91.

Beltrão, M. M., Danon, J., Neme, S., Dória, F. A., & Andrade, C. D. (1987). A antigüidade do Homem Americano. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 178-200.

Beltrão, M. M., Enriquez, C. R., Danon, J., Zuleta, E., & Poupeau, G. (1986). Thermoluminesence Dating of Burnt Cherts from the Alice Böer Site (Brazil). In: A. L. Bryan, New Evidence for the Pleistocenic Peopling of the Americas (pp. 203-219). Orono: University of Mainc.

Dillehay, T. D., Calderón, G. A., Politis, G., & Beltrão, M. M. (1992). Earliest Hunters and Gatherers of South America. Journal of World Prehistory, 145-204.

Vilhena Vialou, A. (2011). Occupations humaines et faune éteinte du Pléistocène au centre de l’Amérique du Sud: L’abri rupestre Santa Elina, Mato Grosso, Brésil. Peuplements et Préhistoire en Amériques. 193-208.

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5 comentários em “Arqueologia questionada: Fraudes, equívocos e evidências confiáveis (mas polêmicas)

  1. Pingback: Arqueologia em Ação 2015: Resultados da Enquete | Arqueologia e Pré-História

  2. jamorim13@hotmail.com
    19/04/2015

    Sua reportagem é horrível você não é da comunidade científica para julgar ou interpretar alguma coisa, deixe que eles se entendam com suas teorias e hipóteses, vai procurar o que fazer e deixa a arqueologia em paz.

    • JuCa
      19/04/2015

      Sou o autor da matéria. Graduado em arqueologia pela PUC GO, mestre em arqueologia pela USP, e atualmente faço doutorado no Museu Nacional. Inclusive, conheço pessoalmente alguns destes pesquisadores e o material dos museus. Mesmo sendo um texto para público geral, não foi feito sem antes saber muito bem do que estou falando.
      Nós, da comunidade científica, pedimos que também procure se informar antes de tentar criticar e ofender. O site tem exatamente esta função de informar. Aproveite.

  3. Son Maximiana
    21/07/2015

    Olá, belo site. Bem, eu não acredito em tudo que leio ou que me dizem até ver fontes confiáveis, e mesmo assim, existe muita informação pouco divulgada ou pra ser direto omitida em muitos fatos históricos e científicos. Quanto à Pirâmide da Bósnia, e quanto à escavações por parte de alguns pesquisadores que foram até os locais onde se encontraram tuneis e galerias etc. É tudo falso? Existe algumas reportagens sobre e fica a pergunta quem está querendo enganar quem? É minha humilde dúvida. Abraço!

    • JuCa
      22/07/2015

      Olá, Son.

      Você pode conferir as fontes originais das matérias no final da reportagem. Arqueólogos são cientistas, e não querem enganar ninguém. O que acontece, em muitos casos, é simplesmente que algumas pessoas não tem uma formação básica em arqueologia, são apenas “pesquisadores” amadores, e acabam confundindo montanhas com pirâmides, pedras naturais com artefatos, etc. E, infelizmente, alguns desses amadores se recusam a admitir que estavam errados desde o começo. O importante é que na comunidade científica todos sabem a verdade. Infelizmente, a mídia gosta de divulgar (e muito) alguns desses casos mais sensacionalistas…

      Abraços

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Informação

Publicado em 27/12/2014 por em Reportagens.

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