Arqueologia e Pré-História

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Achado no sítio Topper revela que as pessoas estavam na América muito antes do que se pensava

Sítio 50 mil

Arqueólogo Al Goodyear mede a profundidade de uma escavação no sítio Topper, próximo a Allendale onde evidências de ocupação humana foram encontradas e que Goodyear afirma datarem em mais do que 50 mil anos atrás. Fonte: Universidade do Sul da Califórnia.

Autor: Bo Petersen

Tradução: Daniela Ortega

As pessoas estavam queimando fogueiras em uma pedreira perto do rio Savannah, há mais de 50.000 anos atrás. Isso teria sido antes do ápice da última glaciação e milênios antes do que se pensa sobre as primeiras ocupações humanas na Carolina do Sul.

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Loalização do Sítio Topper, próximo a Allendale. Fonte: Post and Courier.

A descoberta impressionante a partir do site Topper, perto de Allendale, pode balançar o mundo estável da pesquisa em menos de duas décadas após a primeira escavação de Al Goodyear, o que abriu novas possibilidades para o pensamento arqueológico convencional.

“Topper é muito mais antigo do que 15 mil anos atrás”, disse Goodyear, referindo-se à data que estabeleceu com seu trabalho anterior. “Eu acho que essa vai ser a próxima fronteira (de exploração das origens humanas). Quando e onde o nosso povo começa, quando e onde eles se dispersa. Há muita coisa em jogo aqui”.

Restos de carvão em profundidade no solo foram encontrados e podem ser de aproximadamente 50 mil anos atrás, segundo as datações por rádio-carbono. Outros artefatos, líticos, foram descobertos ao lado deles. Goodyear e a equipe do sítio Topper estão preparando os resultados para uma publicação prévia.

Ele falou sobre isso para divulgar a recente descoberta surpreendente de instrumentos líticos, ossos de animais que foram abatidos, e a presa de um mastodonte em uma escavação na Flórida.

“Se a datação é sólida e os artefatos identificados são antropogênicos (feitos por seres humanos), sem qualquer dúvida, esta é uma adição excelente para o nosso conhecimento das mais antigas ocupações humanas da América do Norte”, disse Phil Manning, paleontólogo do College of Charleston.

“Não tenho dúvidas de que este será um tema muito debatido por algum tempo, como mudanças de paradigma muitas vezes demorarm um pouco para ganhar aceitação, mas a evidência parece ser sólida”.

Para Goodyear, professor aposentado do Instituto de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Carolina do Sul, tudo começou com choppers de quartzo, um pedaço de rocha em que uma face é uma lâmina afiada por lascamento. É o que ele primeiro encontrou na década de 1990 em Topper: choppers e núcleos, lascas de resíduos e outras pequenas ferramentas.

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Fragmentos de lâminas Clovis, de 13 mil anos atrás. Fonte: Keith McGraw, University of South Carolina.

As peças e as lâminas de corte eram relativamente pequenas, sugerindo que elas foram usadas para esculpir ornamentos de osso, marfim e chifre. Eles foram escavados de um ponto mais profundo no solo, do que a profundidade em que as ferramentas Clóvis são encontradas, que datam que os seres humanos ocuparam as Américas por volta de 12 mil a 13 mil anos atrás.

Isso provocou uma controvérsia agitada, sendo que é amplamente aceita a hipótese de que os portadores de ferramentas Clóvis foram os primeiros colonizadores.

Os críticos argumentaram se as ferramentas encontradas eram realmente “pré-Clóvis” e se as peças em rocha, na verdade, foram lascadas por seres humanos, e não por ações naturais. A disputa foi bastante fervorosa.

Mas agora existem vários sítios no leste dos Estados Unidos com achados comparáveis, disse Goodyear. E uma análise publicada recentemente de seus artefatos demonstra que só poderiam ter sido fabricados propositalmente. Enquanto isso, a equipe foi mais profundamente do que a profundidade pré-Clóvis onde as primeiras peças foram encontradas, com evidência de ocupação anterior.

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Instrumentos lascados unifacialmente no topo da camada de solo datada de 50 mil anos atrás. Fonte: Keith McGraw, University of South Carolina.

“Eu acredito que o sítio Topper e alguns sítios na América do Sul são anteriores ao pré-Último Máximo Glacial”, disse ele, um período de mais de 20 mil anos atrás, quando as geleiras atingiram mais ditante ao sul e mais próximo de onde hoje é a Carolina do Sul, um momento em que icebergs estavam em deriva no Oceano Atlântico.

A descoberta na Flórida é que, no final da última Idade do Gelo, caçadores e talvez seus cães rastrearam um mastodonte ao longo de um rio no Panhandle, o abateram e se banqueteavam com o gigante de longas presas, parecido a um elefante, mais cedo do que se sabia que as pessoas estivessem lá.

Publicada no início deste mês na Science Advances, a descoberta foi feita por uma equipe do Estado da Flórida, Texas A & M e outras universidades, que estudou ferramentas líticas e ossos de mastodonte, datando de 14.550 anos de idade. Eles as escavaam debaixo d’água no sítio Page Ladson no rio Aucilla, algumas milhas para o interior do Golfo do México, perto de Tallahassee.

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Arqueólogo Al Goodyear. Fonte: Post and Courier.

“Caçadores-coletores, eventualmente acompanhados de cães, abateram ou utilizaram uma carcaça de mastodonte na beira do buraco ao lado de um pequeno lago”, o jornal menciona. “Essas pessoas tinham se adaptado com sucesso para o seu meio ambiente; eles sabiam onde encontrar água fresca, caça, plantas, matérias-primas para fabricação de ferramentas e outros recursos necessários para a sobrevivência. “

A descoberta da Flórida é “mais um prego no caixão” para a controvérsia agitada com as conclusões Topper há quase duas décadas, disse Goodyear. “Eu estou realmente feliz que isso está repercutindo.” O verdadeiro valor de Page Ladson, porém, é a prova concreta de que pessoas naquela época estavam caçando mastodonte, disse ele.

É possível entrar em contato com Bo Petersen pelo telefone: 843-937-5744, pelo twitter: @bopete, ou pelo facebook: Bo Petersen Reporting

Fonte: The Post and Courier

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7 comentários em “Achado no sítio Topper revela que as pessoas estavam na América muito antes do que se pensava

  1. NILMAR SILVA
    24/05/2016

    MAS É INTERESSANTE, NIÉDE GUIDON VEM BATENDO NESTA TECLA A VÁRIAS DÉCADAS, E QUANDO FINALMENTE UMA NOVA DATAÇÃO DE SEUS ACHADOS E NOVA ANÁLISE DE ARTEFATOS AGORA ACEITO COMO FEITO POR HUMANOS E COM DATAÇÃO ENTRE 38 E 50 MIL ANOS ATRÁS, SÓ AGORA NA AMÉRICO DO NORTE SURGE ESTA NOVIDADE, O DESCASO DA COMUNIDADE CIENTÍFICA COM O TRABALHO DE NIÈDE PROVAVELMENTE VAI FICAR NO ESQUECIMENTO. MAS PELO MENOS ESTA NOVA DESCOBERTA VEM CORROBORAR COM AS SUAS TEORIAS ANTES REFUTADAS. PARABÉNS NIÈDE!!!!

    • JuCa
      24/05/2016

      Oi Nilmar. Seu comentário é muito relevante. No entanto, é importante afirmar que Niéde não é a única defendendo isso. De fato, as pesqusias que tem comprovado o que ela fala são as de Fabio Parenti e Eric Boeda, que escavaram e estudaram os artefatos líticos da Pedra Furada. É neles que a comunidade científica tá mais de olho, mesmo que Niede tenha sido a pioneira lá. Veja a entrevista que fizemos com Fábio Parenti alguns dias atrás 😉

      Outro ponto importante é que esse sítio nos EUA também está sofrendo do mesmo problema. A comunidade científica não está aceitando ainda! Esperamos que realmente com essa descoberta mais e mais pesquisadores passem a aceitar estas datações. E parabéns também ao pesquisador pela descoberta dos EUA.

      • Claudio Ricken
        25/05/2016

        Normal haverem contestações, isso é ciência. O que ocorre com muitos arqueólogos é que com a descoberta de um sítio importante eles passem a usá-lo como referência de vida. Geralmente utilizando apenas métodos idealizados por sua equipe. Aí a contestação é maior ainda. Mas, se não houvessem contestações? O que seria da ciência? Não esqueçam que antes da Niede, os descobridores dos Sítios Monte Verde e Passo Toro também foram duramente contestados.

      • Eco Rupestre
        15/06/2016

        Olá…Não podemos esquecer de Maria Beltrão o achado dela sim é de deixar qualquer um de cabelos fossilizados, rs. ÁAAS

      • JuCa
        15/06/2016

        Maria Beltrão, diferente dos pesquisadores mencionados aqui, nunca apresentou evidências confiáveis para sítios Pleistocênicos.

      • Eco Rupestre
        15/06/2016

        E óbvio, congratulações. A ideia não é competição é ciência. ÁAAS

  2. Jandira Neto
    25/05/2016

    Isto é ciência. Tudo é verdade até que se descubra outra evidencia e estas sejam submetidas a novas provas!

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Publicado em 24/05/2016 por em Reportagens.
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