Arqueologia e Pré-História

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Pesquisadoras realizam estudo da dieta de grupos paleoíndios de Minas Gerais através da Zooarqueologia

Gabriela Mingatos e Mercedes Okumura, ambas do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia (PPGArq) do Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN-UFRJ), publicaram recentemente um artigo sobre as implicações da aplicação do Modelo de Apmplitude de Dieta em restos faunísticos. A partir da identificação dos taxa de vertebrados recuperados na escavação, o objetivo desse estudo foi testar a aplicabilidade do Modelo de Amplitude de Dieta na seleção de taxa consumidos ao longo do Holoceno no sítio Lapa do Santo. Em outras palavras, o objetivo deste trabalhar era entender melhor a presença e escolhas de animais na dieta dos grupos humanos que viveram no sítio arqueológico Lapa do Santo, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Carste de Lagoa Santa, Minas Gerais, há mais de 12 mil anos até cerca de 4 mil anos atrás. O trabalho foi publicado no novo periódico internacional de divulgação científica Palaeoindian Archaeology.

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Localização do APA Carste de Lagoa Santa no Estado de Minas Gerais. Crédito da imagem: Laboratório de Estudos Evolutivos e Ecológicos Humanos, Universidade de São Paulo.

A Lapa do Santo é um sitio arqueológico localizado no carste de Lagoa Santa que apresenta evidencia de ocupação humana ao longo de todo Holoceno, desde cerca de 12,5 mil anos atrás até cerca de mil ano atrás. O estudo realizado, no entanto, abrangiu apenas os níveis arqueológicos do sítio que podem ser divididos entre Holoceno Inicial e Holoceno Médio.

De acordo com as autoras, a zooarqueologia é uma área importante cujos dados podem fornecer evidências valiosas para o melhor entendimento do estilo de vida de grupos pré-históricos. A Teoria do Forrageamento Ótimo é uma das abordagens que pode ser utilizada para entender a composição da dieta de um dado grupo pretérito e, dentre todos os modelos que se originam dessa teoria, o Modelo de Amplitude de Dieta é possivelmente o mais adequado para ser usado em contextos arqueológicos.

A região de Lagoa Santa, no Brasil central (MG), por apresentar muitos sítios arqueológicos do período Paleoíndio nos quais foi possível a preservação de remanescentes orgânicos (incluindo restos faunísticos) pode ser considerada como um dos locais-chave para o entendimento da dieta de grupos caçadores-coletores do fim do Pleistoceno e início do Holoceno.

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Exemplos de remanescentes ósseos de animais que faziam parte da dieta dos primeiros grupos humanos de Minas Gerais, tais como diferentes espécies de  veados, tatus, lagartos, préa, porco do mato, etc. Crédito da imagem: Gabriela Mingatos.

Os resultados apontam para a existência de uma dieta generalizada com a presença de animais de médio e pequeno porte, portanto, as expectativas teóricas derivadas do Modelo de Amplitude de Dieta não foram observadas em termos empíricos. Ainda assim, modelos originários da Teoria de Forrageamento Ótimo apresentam a vantagem de guiar de forma teoricamente embasada testes de hipóteses relacionadas ao consumo de itens alimentares em grupos pré-históricos e podem ser usados de forma crítica para gerar conhecimento e criar interpretações sobre a dieta de grupos pretéritos.

Para ler o artigo completo em língua portuguesa, acesse:

Mingatos, G. S. & Okumura, M. 2016. Modelo de Amplitude de Dieta aplicada a restos faunísticos do sítio Lapa do Santo (MG) e suas implicações para o entendimento da dieta em grupos Paleoíndios do Brasil central. Palaeoindian Archaeology, 1 (1): 15-31.

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Publicado em 07/01/2017 por em Artigos, Reportagens.
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