Detritos em caverna na África do Sul podem ser o mais antigo exemplo de pessoas comendo amido (há 120 mil anos)

Autor: Bruce Bower

Tradução: Daniela Ortega

Material carbonizado encontrado na África do Sul sugere que os humanos digeriram o amido muito antes da agricultura

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SÍTIO AMIÁLCEO Descobertas em cinzas na Gruta do Rio Klasies, na África do Sul, sugerem que os humanos cozinharam e comeram plantas amiláceas, como raízes e tubérculos, há 120 mil anos.

Pequenas fogueiras em uma caverna sul-africana revelaram o que os pesquisadores consideram como os mais antigos exemplos conhecidos de um prato chave no cardápio diário dos antigos humanos. Não, não sobremesa. Pense em amido de plantas torradas.

Restos carbonizados de plantas foram encontrados na Gruta do Rio Klasies e estão datados entre cerca de 120 mil e 65 mil anos atrás, segundo a arqueóloga Cynthia Larbey, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e seus colegas. Os fragmentos orgânicos contêm grãos de amido, mas não podem ser associados a nenhuma espécie de planta amilácea conhecida, relatou a equipe no Journal of Human Evolution.

Com base em plantas que estariam disponíveis localmente, as pessoas provavelmente cozinhavam tubérculos e raízes na caverna, dizem os cientistas. Em comparação com plantas amiláceas em estado cru, as suas partes cozidas teriam proporcionado uma fonte especialmente eficiente de glicose e, portanto, energia para as pessoas. Fósseis humanos encontrados anteriormente na caverna costeira, localizada na ponta sul da África, também datam de cerca de 120 mil anos atrás.

O consumo de amido na antiga Caverna do Rio Klasies sustenta a possibilidade de que Homo sapiens tenha evoluído com melhorias genéticas para ajudar na digestão de amido, bem antes de as pessoas começarem a cultivar plantas amiláceas na África há cerca de 10 mil anos. Os cientistas determinaram que as pessoas hoje carregam mais cópias de genes de digestão do que populações da Paleolíticas, como os neandertais e os denisovanos.

Antigos humanos na África do Sul provavelmente consumiam raízes e tubérculos cozinhados, moluscos, peixes e animais de caça (Larbey et. al, 2019, p.22), diz a equipe de Larbey. Raízes e tubérculos estariam disponíveis o ano todo. E embora pouco se saiba sobre as origens do cozimento, as fogueiras de acampamento foram construídas há pelo menos 300 mil anos na África.

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QUEIMA Uma pesquisadora aponta para um local em uma caverna sul-africana que continha restos de plantas queimadas com amido datadas de cerca de 65 mil anos atrás.

Referência citada 

C. Larbey et alCooked starchy food in hearths ca. 120 kya and 65 kya (MIS 5e and MIS 4) from Klasies River Cave, South AfricaJournal of Human Evolution. Vol. 131, June 2019, p. 210. doi:10.1016/j.jhevol.2019.03.015.

Leitura indicada

B. Bower. Fire used regularly for cooking for 300,000 years. Science News Online, February 20, 2014.

B. Bower. Water’s edge ancestorsScience News. Vol. 180, August 13, 2011, p. 22.

Fonte: Science News

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