A contribuição da zooarqueologia na conservação de ecossistemas costeiros

Por: Gabi Mingatos

O pesquisador Thiago Fossile e colaboradores ao longo do artigo intitulado:  Integrating zooarchaeology in the conservation of coastal-marine ecosystems in Brazil, publicado no ano passado (2019) pela revista Quaternary International, discutem a importância das informações fornecida pelos remanescentes faunísticos como último e rico registro da biodiversidade da região da Babitonga no passado.

Fig. 1
Localização dos Sambaquis discutidos no artigo, na baía da Babitonga, Santa Catarina.

Lançando mão das propostas da Biologia da Conservação, área da biologia a qual estuda os impactos humanos nas mudanças ambientais, principalmente na extinção de animais e biomas, os autores discutem que os dados zooarqueológicos são uteis para se ter um censo de espécies que existiam no passado e que não existem mais na região.

A falácia de informações acontece porque a maioria dos levantamentos faunísticos ocorreram ao longo de poucas décadas, portanto, com o ambiente já fortemente impactado pela presença humana moderna. O registro zooarqueológico forneceria então, um levantamento mais antigo da fauna da região assim como informações importantes sobre o real nível de impacto ecológico ao longo dos anos.

A pesquisa se deu a partir da revisão bibliográfica do que já havia sido produzido sobre os sambaquis da região da Baia da Babitonga. Ao todo 110 sítios foram incorporados a essa analise com datações entre 5.000 e 350 anos AP.

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Imagens aéreas dos Sambaquis (A) Rio Comprido, (B) Morro do Ouro e (C) Cubatão 1. (D) fragmento de peixe encontrado no sítio Cubatão 1.

Sambaquis são grandes amontoados de conchas encontrados ao longo da costa brasileira, cuja a antiguidade remete ao Holoceno Inicial. Nesses sambaquis são encontrados inúmeros enterramentos, artefatos feitos em pedra polida, artefatos ósseos, restos de refeições e rituais. Muitos deles serviram apenas como locais de enterramento, mas mesmo assim são considerados lugares que, do ponto de vista da zooarqueologia, fornecem informações importantíssimas sobre o modo de vida e principalmente sobre a alimentação dessas populações litorâneas.

Sabe-se que a alimentação desses grupos era baseada majoritariamente em peixes e poucos animais terrestres como cervídeos, porcos e primatas e muito raramente, a presença de felinos, como foi o caso do Sambaqui Rio Pinheiro II. Ao longo da pesquisa foram identificadas 244 espécies e dentre elas 14 que hoje encontram-se em extinção e 12 espécies já extintas na região. Um exemplo foi um dente de Cação Dente Liso (Carcharhinus isodon) encontrado no sambaqui Itacoara e Bupeva II, espécie que hoje já encontra-se extinta na região.

O artigo, mais do que falar sobre a alimentação do povo sambaquieiro da região da Babitonga, alerta para as mudanças ambientais que ocorreram ao longo do tempo na região e alerta que mesmo que alterações climáticas e extinções sejam ocorrências naturais, o impacto humano sem dúvidas é mais cruel e muito mais rápido.

Link para o artigo completo: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1040618218307365#fig2

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