Pesquisadores brasileiros descrevem um novo mamífero fóssil de Itaboraí-RJ

Por: Luís Otávio Rezende Castro

Não é novidade que as rochas sedimentares brasileiras são preciosas, pois, constantemente elas nos têm revelado que organismos muito diferentes dos que temos hoje, viveram por aqui. Esse é o caso de Nanolophodon tutuca, um pequeno mamífero da Ordem Notoungulata que viveu durante o Paleogeno brasileiro. Nanolophodon é um notoungulado basal, pertencente à família Henricosborniidae.

Reconstrução. Por: Luciano Vidal

Os notoungulados constituem o grupo de mamífero mais diverso e abundante de ungulados nativos sul-americanos, que viveram durante todo o Cenozoico (também conhecida como a “Era dos mamíferos”), se extinguindo no Holoceno médio, sendo os primeiros registros deste grupo no Paleoceno (65 milhões de anos), logo após a extinção dos dinossauros. 

Na América do Sul, a Bacia de Itaboraí, localizada do Município de Itaboraí – RJ, marca os passos iniciais da diversificação dos mamíferos fósseis que ganharam espaços após o desaparecimento dos dinossauros. A última espécie de um mamífero ungulado proposto para esta bacia foi na década de 80. Embora a Bacia Sedimentar de Itaboraí seja uma das menores do Brasil, ela apresenta enorme quantidade de fósseis que foram coletados ao longo da exploração das rochas calcária para a fabricação de cimento (esse cimento foi utilizado na construção do Maracanã e ponte Rio-Niterói), dada essa ocorrência, hoje o local é considerado um Parque Natural Municipal Paleontológico de São José de Itaboraí administrado pela Prefeitura de Itaboraí.

Um tesouro guardado

Além de ser o menor notoungulado da Bacia de Itaboraí, os fósseis desta espécie procedem de material coletado pelos Drs. Diógenes Campos e Llewelyn Price em 1968 e estavam armazenados no Setor de Paleontologia do Museu de Ciências da Terra, da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). A espécie foi descrita a partir de fragmentos maxilares, dentários e dentes isolados.

Maxila direita com dentes preservados
Molar superior

“Esta descoberta revela que a Bacia de Itaboraí ainda tem muito a contribuir para a ciência, mais especificamente, para a paleontologia” – diz Luís Otávio. O nome do gênero Nanolophodon, significa “pequeno dente lofodonte, e tutuca homenageia a Profa. Dra. Maria Antonieta Rodrigues, conhecida carinhosamente como “Tutuca” que atuou como professora UERJ, formando vários geólogos para o Brasil. A Tutuca não mediu esforços, junto a outros pesquisadores, para criação e preservação do Parque Natural Municipal Paleontológico de São José de Itaboraí, onde se encontra a  Bacia de Itaboraí, e por estes motivos recebeu esta carinhosa homenagem.

A pesquisa paleontológica brasileira

A pesquisa foi publicada no dia 30 de junho de 2021, na revista AMEGHINIANA – A Gondwanan Paleontological Journal, o trabalho é resultante da dissertação de mestrado do Gestor do Parque, Luís Otávio Castro. Os fósseis estudados pertencem à Coleção de Mamíferos do Museu de Ciências da Terra (ANM). Ele foi desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Geociências da UERJ, sob orientação da Dra. Lílian Paglarelli Bergqvist/UFRJ, Dr. Hermínio I. Araújo Junior/UERJ e também pelo pesquisador argentino Dr. Daniel Garcia Lopez da Universidade de Tucumán.

O resultado desta pesquisa além de mostrar a presença desta família basal de notoungulado, reforça a riqueza paleontológica do Município Itaboraí no Estado do Rio de Janeiro. A importância da fauna dessa bacia, especialmente de mamíferos, é tão grande que foi proposto o andar Itaboraiense (aproximadamente 55 milhões de anos) na coluna sul-americana que posiciona cronologicamente as idades-mamífero (SALMA – South American Land Mammal Ages).

Os notoungulados da Bacia de Itaboraí vão continuar a ser estudados no doutorado pelo Gestor do Parque que busca, revisar todos os fósseis deste grupo coletados na Bacia de Itaboraí, reavaliar as espécies existentes e analisar dentre os fósseis ainda não tombados na coleção de mamíferos do MCTer, a existência de novas espécies, e entender as relações dos fósseis dessa bacia única com outras biotas sul-americanas. O doutorado do Luís Otávio está em desenvolvimento no Programa de Pós-graduação em Geologia sob orientação da Dra Bergqvist e do Dr. Garcia-Lopez.

A publicação pode ser acessada aqui.

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